País de alcoviteiras

Em termos de segredos não tenhamos dúvidas: Portugal está tão escancarado como uma velha meretriz. Uma pobreza moral e franciscana digna de um auto de Gil Vicente. Se continuarmos assim vamos todos para o inferno.

É isto que acontece quando se tem tecnologia para tudo e não há ética para nada – abalam-se os fundamentos do Estado e todos assobiam para o lado.

É preciso que os titulares dos órgãos de soberania e outros atores sociais relevantes – sejam eles políticos, juízes, jornalistas ou empresários – procurem conhecer, ou pelo menos não ignorar, as alterações que a globalização e a tecnologia trouxeram às relações humanas. É fundamental que não usem as novas capacidades do mundo global – Internet, plataformas sociais e redes móveis – com o mesmo espírito com que se faziam as contas nos manuais de quarta classe do tempo da outra senhora. Sempre a meu favor e noves fora nada.

AlcoviteirasÉ imprescindível que ministros e procuradores, repórteres e diretores, secretários de Estado e outros gestores compreendam que o novo paradigma não é apenas um instrumento para se obterem vantagens pessoais, setoriais ou corporativas. Não é legítimo que se usem esses privilégios como simples vantagens competitivas. Isso perverte as regras do jogo e impede a sociedade – por quem são conjunturalmente responsáveis – de evoluir no melhor sentido. Os altos quadros da nação têm de adquirir as competências necessárias para utilizar com responsabilidade o poder que este “maravilhoso mundo” lhes põe nas mãos – em vez de o desbaratarem em conversas de café ou medicinas chinesas.

É preciso que à violação do segredo de justiça – que todos maltratam com despudor e irresponsabilidade – não se junte também a violação do segredo de Estado. Quando isto acontece, como parece estar a acontecer agora no caso dos Vistos Gold, estamos a transformar a nossa segurança nacional numa sequela provável dos “Anjos de Charlie”, onde os espiões russos, mesmo que expulsos, se ficam sempre a rir de nós.

O Portugal Open está morto. Viva o Estoril Open.

25 anos depois, o romantismo lusitano de João Lagos – que soçobrou na crise – é substituído pelo implacável profissionalismo internacional de Jorge Mendes na gestão da maior prova de ténis em Portugal. Mas esta não é só uma mudança de protagonistas é, sobretudo, uma mudança geracional no topo da industria desportiva portuguesa. “O rei está morto, viva o rei”. O empresário que representa alguns dos maiores jogadores de futebol do Mundo, como por exemplo Cristiano Ronaldo, dono de um verdadeiro império desportivo, vem salvar o maior torneio de ténis português e acrescenta-lhe novidades. Haverá menos jogadores do top mundial na prova deste ano, mas em contrapartida até vai haver jogos à noite. Os parceiros também se queixam que agora é mais difícil negociar.

PS, pobre PS.

Ao contrário do que acontece com o Estoril Open, o Partido socialista vai ter mais dificuldades em encontrar um mecenas salvador. Com margem mínima nas sondagens – e sem que António Costa consiga definitivamente ganhar uma aura ganhadora sobre o PSD – aparecerem notícias a contar que o PS não tem dinheiro para pagar a água e a luz nas sedes partidárias e tem de pedir empréstimos para pagar a campanha eleitoral que se avizinha são sempre maus sinais. Quando não se pode evitar um problema é preciso abraçá-lo e este era fácil de perceber que aí vinha. Isso é má gestão de comunicação.

RTP, rica RTP.

Os novos ordenados da administração da RTP são apenas as cenas dos próximos capítulos sobre o que aí vem se o PSD perder as eleições e Passos Coelho se retirar de cena. Por causa dos vencimentos de Gonçalo Reis e Nuno Artur Silva (que vão ser bem maiores que o do primeiro-ministro), Marco António Costa “foi-se” a Poiares Maduro como nem Mariana Mortágua se foi ao governador do Banco de Portugal durante a audição parlamentar do caso BES. Nem nos partidos da Oposição se bradou tanto contra a contratação deste dois profissionais – de méritos inequívocos, é preciso que se diga – como no partido do Governo. Mas verdade, verdadinha, é só uma: se o lugar de primeiro-ministro tivesse um ordenado em condições estávamos todos melhor.

JOSÉ MANUEL DIOGO, DIRETOR SCIP PORTUGAL
Fonte JN

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