Convento São Francisco, um centro cultural

CONVENTO-SAO-FRANCISCO-1O novo megaequipamento cultural da região Centro arranca com dezenas de espetáculos entre abril e junho e uma agenda variada de eventos corporativos. De Benjamin Clementine à dança dos TAO Dance Theater, passando por uma mostra de Novo Circo, existirão muitas formas de conhecer aquela que passará a ser uma das maiores casas de espetáculos do país. Exposições, teatro e residências artísticas completam o programa dos próximos meses.

O Convento São Francisco é uma megaestrutura de eventos culturais, artísticos e de negócios que promete catapultar as dinâmicas culturais e económicas não só em Coimbra, mas na região Centro e no país.

O trimestre de arranque contará com concertos de Benjamin Clementine, Michael Nyman, da brasileira Maria Rita e com os Mão Morta com a orquestra Remix Ensemble da Casa da Música, entre outros. Também se poderá assistir à dança hipnotizante do TAO Dance Theater (companhia de referência chinesa considerada pela Time Out de Nova Iorque como uma das dez melhores companhias de dança da atualidade) ou à peça “António e Maria”, escrita por Rui Cardoso Martins a partir de textos de António Lobo Antunes e interpretada por Maria Rueff, do Teatro Meridional (ver anexo Programação).

A programação também inclui Pedro Burmester com Mário Laginha, que interpretam Debussy e Ravel, o português Bernando Sassetti e peças inéditas dos próprios. E há linguagens musicais como a de Garry Burton, vencedor de seis Grammys na área do Jazz, e Takami Nakamoto, um dos maiores nomes da cena da música electrónica e artes visuais digitais. Isto só no primeiro trimestre da entrada em funcionamento deste Convento, recuperado numa intervenção com projeto do arquiteto Carrilho da Graça e obras superiores a 40 milhões de euros.

BenjaminClementine_700“Os espetáculos para a infância e famílias são igualmente um enfoque da programação, assim como projetos artísticos de envolvimento comunitário e uma ligação aos percursos turísticos e patrimoniais da cidade por forma a enriquecer a experiência de visitar Coimbra”, afirma Carina Gomes, vereadora da Cultura da Câmara de Coimbra, acrescentando que, “ao mesmo tempo, os principais objetivos políticos da programação incluem a ligação, sempre que possível, aos agentes e às estruturas culturais da cidade e a promoção de espetáculos que preservem e promovam a memória” daquele espaço e de Coimbra.

“A programação deste ano, com todas as contingências que tem um arranque, ainda não espelha totalmente a visão que temos para este espaço, mas concretiza, desde já, alguns dos objetivos definidos para o futuro. Pretendemos marcar o país na área cultural e de negócios, com planos para projeção internacionalmente já em curso”, afirma João Aidos, um ex-diretor-geral das Artes e consultor da Câmara para a programação do Convento.

“O convento terá o Welcome Center e, previsivelmente, o Convention Bureau do Centro/Coimbra”, descreve a vereadora Carina Gomes, referindo-se às oportunidades nas áreas do turismo e dos congressos proporcionada pela abertura deste novo equipamento.

O complexo é composto por uma das maiores salas de espetáculos do país, cujo palco está dotado das mais avançadas tecnologias de mecânica de cena, um fosso para orquestras sinfónica na sua maior dimensão, um sistema de movimentações cénicas e controlo de referência e uma concha acústica com performance de excelência. O espaço possui equipamento nas áreas de som, luz, vídeo e filmagens HD com condições para as mais exigentes produções nas artes performativas, sejam óperas, bailado clássico, dança contemporânea, artes circenses ou conferências.

O Convento, cuja dimensão e valências apenas é comparável no país com o Centro Cultural de Belém, ganhará em breve ainda maior dimensão e caráter, com a recuperação da Igreja de São Francisco contígua ao Convento (ambos do século XVII), neste caso com projeto do arquiteto Gonçalo Byrne. “É um complexo que une vários edifícios, que conjuga património em diálogo com contemporaneidade, e que oferece uma experiência única ao espectador, numa mudança constante de cenários, transitando facilmente de espaços para concertos, para zonas de workshops ou residência artística, performances, seminários, colóquios, apresentações”, afirma João Aidos.

O Novo Circo é uma das apostas fortes da Câmara Municipal para o Convento São Francisco nos próximos anos – e da programação deste arranque. O “Mostra que é Circo”, de 26 de abril a 1 de maio, apresenta o que de mais vanguardista se produz em termos de linguagem estética nesta área, trazendo a Coimbra companhias da Ucrânia, República Checa, Itália e França. “São espetáculos incríveis, com uma qualidade artística à qual será difícil ficar indiferente”, assegura João Aidos.

A Arte Urbana e as Artes Digitais são outros domínios artísticos em que a Câmara Municipal pretende afirmar o Convento São Francisco como uma referência nacional. Faz também parte do projeto torná-lo uma plataforma que coloque o conhecimento, a ciência e a inovação em diálogo com projetos artísticos (dando sentido à relação da cidade com as universidades). As residências artísticas, para as quais existem três estúdios, seis quartos e uma sala de produção, irão desempenhar um papel importante nesse capítulo, bem como as parcerias com as instituições de ensino obrigatório, vocacional artístico e superior, “clusters” de investigação e de inovação.

“Desde logo, é importante compreender o posicionamento do Convento São Francisco nas suas três vertentes principais: Centro Cultural, Centro de Congressos e Welcome Center da cidade”, afirma a vereadora Carina Gomes. “No conjunto, é um instrumento para valorizar Coimbra, reposicionando a cidade como uma nova centralidade nacional e uma estação relevante de alguns roteiros europeus”.

 

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