Bolas de Berlim

As pessoas têm dificuldades em acreditar que alguém se sacrifique para fazer coisas boas. Por isso acreditaram que um jornalista a trabalhar na praia ao sol só podia ser fiscal das finanças.

Agosto. 40 graus à sombra. O país a banhos. Todos procuram algum conforto na frescura da beira mar. As praias estão cheias. À sombra dos guarda-sóis, os leitores e as leitoras, leem as notícias dos jornais, em páginas de papel ou nos ecrãs dos seus telemóveis, estendidos na areia branca e única das praias portuguesas. Ninguém consegue jogar Pokemon. Quase nada se mexe.

Nem os mais jovens se afoitam a passear na areia dura da maré vaza. Hoje é domingo. Está um calor abrasador. De quando em vez uma pequena brisa parece fazer ondular as miragens de calor que brotam da areia e distorcem a visão ao longe. De dez em dez minutos é preciso levantar da tolha e deitar o corpo ao mar, ou pelo menos molhar os pés e salpicar de água as costas. O efeito do arrepio fresco da água atlântica é uma bênção.

Ao longe, entrecortado pelo marulhar das ondas e o vozear lento dos banhistas, ouve-se o som de pregões familiares. Olha o gelado fresquinho! Fruta ou Chocolate! Bolacha Americana! A bola de Berlim com creme! Lembramos os sons prefeitos da nossa infância. Tanta alegria. Tudo corre bem.

Tudo? Não.

Continue a ler aqui.

Bolas de Berlim DR

Related News

Comments are closed.